Fazendo videogames, fazendo arte

Sou um defensor confesso dos videogames na maior parte de seus aspectos. Mas assumir esse tipo de defesa não é tarefa muito fácil, principalmente com um tipo de produto que é vez ou outra protagonista de controvérsias.

O mais famoso tipo de polêmica que ouvimos falar é quanto à influência que os jogos eletrônicos exercem nos nossos pobres coitados jovens… Quem nunca escutou “videogames”, “geram” e “violência” numa mesma frase alguma vez? Pois é!

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E se eu te dissesse que pessoas cometiam assassinatos antes dos videogames existirem

Mas, bem, não é esse o assunto que quero chegar. E, sim! Em um futuro muitíssimo próximo teremos um post sobre jogos eletrônicos e a violência.

No entanto, o ponto que quero chegar é o seguinte: qual o valor cultural dos videogames, será que eles tem conteúdo suficiente para serem considerados produtos artísticos?

É mais que fato que a sociedade, no Brasil inclusive, sempre mostra uma certa resistência ao que é novo. Conservadorismo tá aí, sempre esteve. Vocês lembram da polêmica com o vale-cultura no ano passado? Quando a então Ministra da Cultura, Marta Suplicy soltou a famigerada “Eu não acho que jogos digitais sejam cultura”.

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Sraª Ex-Ministra da Cultura, você está louca, querida?

O conceito de arte é um fato muito discutido, principalmente entre os acadêmicos. Essa definição chega até a ser particular. Minha intenção, entretanto, não é impor nenhum acepção própria, longe disso, por favor. Até porque uma coisa é certa, a própria padronização da definição do termo com fronteiras teoricamente intransponíveis é uma atitude opressora, pois marginaliza muitos conteúdos que tem potenciais arrebatadores.

Ah, E não pensem que essa historinha é nova! Já vimos esse filme antes, e muitas vezes por sinal. Algumas coisas consideradas marcos artístico-culturais já foram marginalizados em outras épocas.

Eu tenho certeza que os mesmos que condenam os videogames consideram como artes a literatura, a música, pintura, escultura… E aí é que está a contradição já que o próprio videogame envolve tudo isso em sua produção.

Mesmo sem nos prender muito à acepções, consideremos a ideia comum do que seja “arte”. O que o dicionário Houaiss sobre o verbete? “Produção consciente de obras, formas ou objetos voltada para a concretização de um ideal de beleza e harmonia ou para a expressão da subjetividade humana”.

Interessante. Além de “beleza”, o dicionário nos apresenta duas outras palavras como sinônimos de “arte”: “habilidade” e “técnica”.

Partindo dessa ideia venho listar 5 jogos dessa década que são verdadeiras obras de artes. Não estou enumerando qual é o melhor ou pior, não é minha intenção, e que fique claro que é só a minha singela opinião.

LIMBO (2010)

limbo-bannerLimbo é um jogo puzzle de plataforma bidimensional da desenvolvedora indie Playdead.

No jogo você imerge num ambiente monocromático sombrio e misterioso de beleza singular no mundo dos games, na pele de um garoto anônimo na busca de sua irmã. O visual, a tensão, o som ambiente de Limbo conseguem te transportar para dentro do jogo e fazer com que as experiências de morte do personagem se tornem doentiamente divertidas de presenciar.

NI NO KUNI: WRATH OF THE WHITE WITCH (2010)

Conhece os Estúdios Ghibli responsáveis por Meu Vizinho Totoro e A Viagem de Chihiro? Pois então, o estúdio produziu em conjunto com a empresa Level-5 o jogo Ni no Kuni: Wrath of The White Witch, já com isso não preciso mais falar nada, né?!

JOURNEY (2012)

Definir Journey em poucas palavras é difícil… eu diria: bonito e cativante.

BIOSHOCK INFINITE (2013)

aFjcGSSUma coisa sobre Bioshock Infinite: que enredo espetacular!!! No jogo assumimos o papel de Booker DeWitt em sua jornada junto à linda Elizabeth pela cidade flutuante Columbia, num cenário lindo, em meio à construções neoclássicas e art decó no mais surpreendente estilo steampunk.

Bioshock Infinite tem um twist plot (reviravolta) de estourar crânios.

Por conta desse jogo fiquei viciado em Beast e Fury Oh Fury do Nico Vega.

BROTHERS: A TALE OF TWO SONS (2013)

Outro jogo lindo é Brothers: A Tale os Two Sons que além de cenários de encher os olhos e uma história singela e tocante, nos trouxe uma jogabilidade incomum e inovadora, onde o jogador deve controlar dois personagens simultaneamente. É uma experiência absurdamente válida.

Então videogames podem ser arte? De uma coisa eu sei: se não há beleza neles… bem, acho que o sol deve ter fritado o meu cérebro.

E para vocês quais jogos são obras de arte?

Até mais, geeks!

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Sobre Eldner Felipe

Pessoense, 18 anos, estudante (lerdo) de Jornalismo que queria ser um calango para resistir ao sol em João Pessoa, geminiano - como se isso importasse -, gosta de ler, jogar, escrever, inclusive fazer nada, e também dormir. Ênfase em fazer nada e dormir, por favor. Música? Rock, no geral, mas não é regra.
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2 respostas para Fazendo videogames, fazendo arte

  1. só discordo do Bioshock que ao meu ver o primeiro jogo da franquia é uma obra de arte muito mais bela do que o infinite, pela época que foi lançado e ainda hoje possui gráficos muito belos inclusive sendo o jogo com gráficos de água mais belos da geração passada e pela história que é bem mais rica inclusive pelo fato das decisões do jogador influenciarem o final do jogo.

    Curtido por 1 pessoa

    • Eldner Felipe disse:

      Cara, a série Bioshock é mt foda!!! Mas, admito que pago um pau para o Infinite kkkk

      A série toda mereceria muito entrar nessa lista, pra mim, só que eu quis afunilar um pouco (restringindo só para os jogos lançado de 2010 à 2014), até porque existem muitos outros jogos incríveis, chega a ser covardia elencar 5 assim, só que, como eu disse, é bem pessoal.

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