Resenha: Os 13 Porquês

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Clay Jensen chega em casa e encontra um pacote do tamanho de uma caixa de sapatos apoiado na porta da sua casa. Dentro da caixa tem um rolo de plástico-bolha com 7 fitas cassete, 6 enumeradas dos dois lados e a última apenas de um lado, contando assim do número 1 ao 13. Play. A voz de Hannah Baker soa. A garota que há algumas semanas se suicidou por overdose de remédios. E por acaso, o primeiro amor de Clay.

Livro: Os 13 Porquês /Autor: Jay Asher /Páginas: 256 /Editora: Ática /Ano: 2009

Nas fitas Hannah explica os treze motivos que a levaram a se matar. Treze motivos ligados a treze pessoas. E quem recebeu as fitas é um deles. Depois que escutar é só passar as fitas para o próximo nome da lista. Mas o que terá feito Clay Jensen ao ponto de entrar na lista de Hannah? Ao ponto de ser um dos motivos pra sua morte?

“Queria que as pessoas confiassem em mim, apesar de qualquer coisa que tivessem ouvido. E, mais do isso, queria que me conhecessem. Não aquilo que pensavam saber ao meu respeito. Mas eu de verdade.” – Hannah

Em seu livro de estreia, Jay Asher constroi uma narrativa cheia de segredos que prende o leitor e não o deixa largar o livro sem enfim descobrir quais os motivos para a morte de Hannah, e, principalmente, o motivo de Clay.

Em alguns momentos certos motivos parecem ser bobos, mas isso se pensados individualmente. Como a própria Hannah lembra, eles foram se agregando, o que causou uma bola de neve. E se vistos dessa forma, realmente, cada novo acontecimento têm lá seu impacto.

 “Acho que essa é a questão central. Ninguém sabe ao certo impacto tem na vida dos outros. Muitas vezes não tem noção. Mas forçamos a barra do mesmo jeito.” – Hannah

O livro tem uma capa que além de chamar atenção, faz jus à história e a diagramação contribui com a leitura, apresentando letras grandes e margens bem espaçadas. O enredo traz temas fortes como bullying, depressão, abuso sexual, suicídio (não diga?!) e faz refletir sobre o quanto podemos interferir na vida das pessoas sem que saibamos e as consequências de certos atos e palavras ditas.

O autor cria personagens que mexem com a gente. Uns nos causam repugnância pelas coisas que fazem e outros que nos cativam pelo seu jeito ou pelo que passam, como Hannah e Clay. E sinto informar, mas você vai se surpreender quando, desde a metade do livro, se pegar torcendo pra que Hannah não se mate, mesmo sabendo que ela já está morta desde o começo. Pois é, triste isso!

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“Vocês não sabem o que estava se passando no resto da minha vida. Em casa. Nem mesmo na escola. Não sabem o que se passa na vida de ninguém, a não ser na de vocês. E quando estragam uma parte da vida de uma pessoa, não estão estragando apenas aquela parte. Infelizmente não da para ser tão preciso ou seletivo. Quando você estraga uma parte da vida de alguém, você estraga a vida toda dessa pessoa. Tudo… é afetado.”. – Hannah

Os capítulos são curtos e cada um se trata de um lado de uma fita, ou seja, um motivo. A história é narrada em primeira pessoa, hora por Hannah através das gravações, e hora por Clay que, entre pausas nas fitas, também diz o que sente ou o que sabe sobre o que aconteceu.

O final é bem elaborado e ao longo do livro Jay Asher dá algumas dicas necessárias para uma sacada que ele deixa em aberto, porém que é facilmente dedutível.

“É importante estarmos conscientes do modo como tratamos os outros. Mesmo que alguém pareça ignorar um comentário casual ou não se deixar afetar por um boato, é impossível saber tudo o que se passa na vida daquela pessoa e o quanto podemos ampliar sua dor. As pessoas têm impacto na vida dos outros; isso é inegável.” – Jay Asher (o autor).

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Avaliação: 4 Invaders – Ótimo

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Sobre Diana Araújo

Estudante de jornalismo supersticiosa ao ponto de só levantar da cama com o pé direito. Considera seus livros como filhos. Sempre pula o último degrau da escada. Já assistiu Dirty Dacing trocentas vezes. Tem mania de lavar as mãos. Ama histórias com contos de fadas, princesas e super herois. Ah, e as melhores cantadas são suas.
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2 respostas para Resenha: Os 13 Porquês

  1. galdinoamanda disse:

    Quando eu li ’13 porquês’ também fiquei chateada porque começava a torcer pra que ela não tivesse morrido, e que claro, ficasse com Clay. O que me frustrou mais ainda é que no começo tive raiva dele porque achava que ele era o principal culpado, mas na verdade, no decorrer da história você percebe a inocência dele em tudo e como ele acabou se tornando um ‘vilão’ por acaso. Um ‘motivo’ sem querer. Eles deviam ter ficado juntos ;-;

    Curtido por 1 pessoa

    • Diana Araújo disse:

      Assim que comecei a ler o livro eu também pensei que ele era o principal culpado e já tentava imaginar diversas coisas que Clay poderia ter feito. Depois fui notando o quanto ele foi só um azarado nessa história. Queria muito eles juntos! Aliás, ainda quero :'(

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