Players homicidas?

Imagino que esse post expresse uma opinião não muito diferente de boa parte dos geeks – mas que fique claro que esse texto é de uma opinião particular -, sempre me vi na necessidade de falar sobre esse assunto que sempre gerou polêmica: videogames geram violência?

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Bem, esse tipo de pergunta é daquelas que eu acho bastante estúpida. Como um objeto criado para puro entretenimento pode ser o causador de violência? A resposta é simples: não há como, porque sinceramente não são eles os causadores. Mesmo assim, a mídia teimou com isso durante bastante tempo, vez ou outra é o que vemos na TV, mas esse preconceito está mudando – já foi muito pior.

Desde que os jogos eletrônicos se tornaram mais sofisticados do que resumidos “pontinhos na tela”, a grande mídia teima em acusá-los de culpados pelo comportamento agressivo de muitos jovens, prejudicando toda uma indústria de jogos eletrônicos. zelda_evolution-copy

Nos últimos anos a emissora de Jesus Rede Record de televisão é a que mais implica com os jogos eletrônicos, com uma crítica incessante contra eles, e aproveita acontecimentos infelizes e de grande repercussão como base para suas acusações.

Encontrar a participação dos jogos na vida de protagonistas de horríveis massacres quase se tornou regra na emissora. Exemplos? 2011, acusou os jogos de incentivar a violência entre torcidas organizadas. Ainda no mesmo ano a emissora tentou de qualquer forma relacionar o comportamento do assassino Wellington Menezes de Oliveira, responsável pelo Massacre de Realengo, com os jogos.

Mais recentemente, quando Marcelo Pesseghini se tornou suspeito do assassinato de sua família (seus pais policiais, sua avó e sua tia), o fato do menino ser um suposto fã da série de jogos “Assassin’s Creed” foi o motivo para o início de mais um ataque contra os videogames. A Ubisoft Brasil divulgou uma nota sobre o caso na época.

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Marcelo Rezende ficou marcado ao falar de Assassin’s Creed durante a época do Caso Pesseghini. Na foto a montagem satiriza o fato.

Nota-se como a emissora é impecavelmente imparcial! Pecado comete os que dizem que essa emissora é sensacionalista, por favor… Okay, é fato que o tema (bastante sério) foi abordado de maneira simplista pelos jornalistas que ignoraram a real natureza dos videogames.

Mas cuidado! Não estou dizendo que devemos negligenciar o bom uso dos videogames. As pessoas simplesmente ignoram a existência de classificação indicativa, por exemplo, e, sendo assim, os pais devem saber lidar com esse universo, obviamente.

video game violenceAtitudes que surgem dos pensamentos alterados das próprias pessoas em hipótese alguma devem ser tidas como causada pelos games – é importante que pessoas com distúrbios assim busquem a ajuda profissional –, primeiro porque nos prova a incapacidade desse sujeito de separar a ficção da realidade e, principalmente, como dito antes, porque vai contra a real natureza dos jogos, o entretenimento.

O comportamento e a personalidade são fatores que nascem da própria índole da pessoa e quanto ao que deve ser tirado dos jogos eletrônicos – assim como da ficção no geral e, de uma forma mais abrangente, da vida – os pais tem um papel importante: educar. Mas por que a grande mídia teima em atacar os videogames e não outros subgêneros da ficção como as novelas e o cinema?

boy-playing-video-gameO desenvolvimento da indústria dos jogos eletrônicos é de uma relevância que não se resume ao games, pois também está ligada ao desenvolvimento do cinema da robótica, da computação, entre outros diversas áreas.

Com a indústria dos jogos eletrônicos cada vez mais forte, com tecnologia de computação gráfica que faz inveja aos melhores estúdios de Hollywood, com o surgimento dos e-sports, a mídia tradicional teme um grande concorrente, quanto mais players menos audiência para as emissoras. tumblr_muhy2hzORr1sgnu21o1_1280Apesar desses fatores há, ainda, o fato das rotinas produtivas e a busca pelo furo (noticiar o fato/informação antes de todos) que pressionam o jornalista a passar a informação de certa forma que pode levar à uma resolução perigosamente equivocada.

Maquiar os verdadeiros problemas de uma sociedade que convive diariamente com a violência, crimes hediondos, entre outras infelicidades, tornou-se uma forma extremamente eficaz de esconder os verdadeiros responsáveis. Já é tempo de parar de usar os games como bode expiatório.

E você, o que pensa sobre essa assunto? Comenta aí!

Bai, geeks!

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Sobre Eldner Felipe

Pessoense, 18 anos, estudante (lerdo) de Jornalismo que queria ser um calango para resistir ao sol em João Pessoa, geminiano - como se isso importasse -, gosta de ler, jogar, escrever, inclusive fazer nada, e também dormir. Ênfase em fazer nada e dormir, por favor. Música? Rock, no geral, mas não é regra.
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