Crítica: Invencível

Os problemas de filmar um melodrama.

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Drama, 2014. Direção: Angelina Jolie. Roteiro: Ethan Coen, Joel Coen, Richard LaGravenese e William Nicholson. Elenco: Jack O’Connell, Domhall Gleeson, Garrett Hedlund, Miyavi, Finn Wittrock, Jai Courtney, Vincenzo Amato, John Magaro.

Invencível, segunda produção da carreira de Angelina Jolie como diretora, é um filme ambicioso. Ao narrar a história de um herói americano em plena Segunda Guerra Mundial sem desconstruir ou evitar o horror do confronto, Jolie exibe coragem no seu modo de fazer cinema. O problema é que a ousadia da diretora não salva o roteiro melodramático do seu eventual colapso.

A película é baseada na história real do ítalo-americano Louis “Louie” Zamperini (vivido por Jack O’Connell). Ex-atleta olímpico, Zamperini sofreu um acidente durante uma missão de resgate e ficou 47 dias à deriva no Oceano Pacífico até ser resgatado pelos japoneses. Os inimigos levaram-no a diversas prisões militares, nas quais ele passou o restante do conflito.

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No primeiro ato, o presente é intercalado com flashbacks, o que providencia um bom ritmo à produção. A construção do protagonista neste ato é eficaz e conseguimos entender a importância do irmão Pete (vivido na infância por John D’Leo e na idade adulta por Alex Russell) na construção do caráter do personagem.

No entanto, a história do protagonista não convence enquanto adentra no  segundo ato da produção. Ao abandonar os flashbacks e focar no presente do protagonista, a trama perde ritmo e as falhas se tornam evidentes. O roteiro colapsa ao mostrar Zamperini como uma espécie de Super-Homem e não abre espaço para um crescimento do personagem, apesar da atuação competente de seu intérprete.

Outro ponto negativo da película é reforçar a pouca profundidade dos personagens coadjuvantes ao não criar situações que nos convençam de sua importância para a narrativa. Os outros dois sobreviventes da queda do avião, Phil (Gleeson) e Mac (Wittrock), são quase postos como figurantes na situação trágica; os demais companheiros de Zamperini nas prisões japoneses são subaproveitados; e a relação de ódio entre Mutsushiro “A Ave” Watanabe (Miyavi) e Louie é quase caricatural de tão forçada.

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Ainda assim, Jolie consegue registrar o terror dos bombardeios nos arredores da prisão japonesa sem recorrer ao sentimentalismo barato, impondo um olhar que consegue captar o trágico sem perder a sutileza. Igualmente sutil é a direção de fotografia de Roger Deakins, que conseguiu arrebatar uma indicação ao Oscar deste ano.

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Com três indicações ao Oscar (Fotografia, Edição de Som e Mixagem de Som), Invencível se mostra uma produção bem filmada, mas que se torna cansativa à medida que nos aprofundamos em sua história. Apesar disso, é necessário que se diga: Angelina Jolie é uma força a ser reconhecida.

3invadersAvaliação: 3 Invaders – Bom

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Sobre Danilo C. Monteiro

Pessoense, estuda Jornalismo e é apaixonado pela sétima arte. Gosta de séries, anime, mangá, bons livros e boa música. Outra paixão é a escrita. Escreve porque acredita na força de uma boa história.
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