Análise – Life is Strange: Chrysalis

E aí, pessoal, beleza?

lis

Já fazia algum tempo que eu não escrevia uma análise para vocês (culpa da universidade), mas finalmente resolvi trazer minha visão sobre o game Life is Strange. Desenvolvido pela Dontnod Entertainment e publicado pela Square Enix, este jogo está disponível para Microsoft Windows(PC), Ps3, Ps4, Xbox 360 e Xbox One

Devo admitir que quando fui apresentado, sem qualquer informação prévia a respeito, ao game em questão, hesitei em jogá-lo. Até baixar e dar uma conferida nos primeiros minutos, achei que era somente um game real-life sem nenhuma grande sacada. Contudo, ao terminar de jogar Chrysalis, o primeiro episódio de um total de cinco, fiquei estupefato com o quanto ele é agradável e interessante.

Atenção, a análise de Life is Strange pode conter SPOILERS.

Neste jogo, encarnamos a adolescente Maxine “Max” Caulfield, uma garota que ama fotografar e retorna para sua cidade natal, em Oregon, a fim de cursar fotografia em uma faculdade de renome. Mas, calma, nós só descobrimos tudo isso um pouco depois dos primeiros minutos de jogatina. Na realidade, o game começa com uma Max desorientada em meio à uma tempestade colossal e que, de repente, acorda em um dia de aula comum. A mudança repentina é bastante perturbadora, de forma que tanto Max quanto os jogadores ficam igual e extremamente confusos. Seria aquilo de antes um sonho? Talvez.

Max

Essa é a Max <3

Após esse “despertar”, os vinte minutos seguintes são bem despretensiosos. Somos apresentados à nossa protagonista e as emoções dela facilmente fluem para quem está jogando. Infeliz por voltar para “casa” depois de tanto tempo, lembrando de tudo que deixou para trás quando se mudou, e por não ter qualquer relação com seus colegas de classe, é muito difícil não nutrir uma simpatia repentina por Max. Ela, embora não tenha as características das heroínas femininas de hoje em dia, é incrivelmente carismática.

E então, quando nós finalmente decidimos que a tempestade foi apenas um pesadelo em uma aula chata e que o resto da história é um dramalhão alá The Secret Life of the American Teenager, temos uma surpresa que muda todo o curso monótono da história jogado em nossas faces. Ao entrar no banheiro para lavar o rosto, Max se vê diante de um estranho diálogo entre Nathan, um garoto rico e explosivo de sua faculdade, e uma moça de cabelos azuis. Após uma briga acalorada, Nathan dá um tiro na moça e, no caos do momento, Max acaba fazendo o  tempo regressar para quando a desconhecida ainda estava viva. SIM, MAX CONTROLA O TEMPO!

The Shoot

Nathan tira a vida de Chloe

É a partir de então que Life is Strange fica realmente interessante. Não simplesmente porque a protagonista é uma fucking manipuladora temporal, mas pelo recado que o jogo tenta transmitir. “Agora que você pode voltar ao passado, o que você faria? O que você mudaria? Está pronto para se sujeitar ao Efeito Borboleta? Ou seja, você pode mudar os acontecimentos, mas esteja pronto para aceitar as consequências imprevisíveis que seus atos trarão. A partir de agora, não existe mais certo/errado ou bom/mal, existem apenas escolhas. Escolhas estas que podem parecer corretas no momento em que você as toma, mas posteriormente podem implicar em coisas boas ou ruins. Este é o grande perigo de ter o tempo em suas mãos.

Diante dessa perspectiva, finalmente podemos falar da jogabilidade de Life is Strange, uma vez que a reversão do tempo é a mecânica principal e exclusiva do jogo. Jogo em terceira pessoa, o sistema de manipulação temporal permite ao jogador brincar com as ações e sempre mover as peças ao seu favor. Podemos, por exemplo, escolher uma ação x e diante dos seus resultados, refazer tudo escolhendo a ação y. Outro possibilidade é, seguir por um caminho e depois retroceder, usando dos fatos e informações descobertos para modificar e controlar sua própria história. Fazendo isso, acompanhamos o crescimento individual de Max e a forma como ela passa a ver e se relacionar com o mundo. Para mim, é isso que torna Life is Strange tão interessante, belo e envolvente.

Nossas heroína e a moça dos cabelos azulados

Nossa heroína e a moça dos cabelos azulados

Não é justo dizer, entretanto, que Life is Strange perde totalmente as características de um drama. Sim, ele é um drama adolescente, mas é muito sútil, de forma que não se torna irritante. Além disso, o jogo também possui traços de terror paranormal – afinal, de onde diabos brotou esse poder de manipular o tempo? – e mistério – um dos subplots do game é o desaparecimento de Rachel Amber, uma garota bem popular da universidade de Max. Isso tudo, somada à grandes diálogos e uma das melhores trilhas sonoras que já ouvi, fazem com que todas as cenas do jogo sejam pontualmente marcantes. Por exemplo, o momento em que Max e Chloe estão conversando enquanto fogem na caminhonete desta última é maravilhosa: a carga emocional entre elas é tremenda e a música de fundo, triste, torna tudo muito comovente. 

Por fim, vamos falar dos gráficos. Vejam bem, Life is Strange é visualmente bonito, mas não é extremamente detalhista – muito possivelmente, isso é proposital. Os ambientes e fundos são incrivelmente belos, sim, mas o design dos personagens é um pouco estranho. Digo, ele se adequá perfeitamente à Max, Chloe e alguns coadjuvantes, ficando belos mesmo estando imperfeitos, mas a diferença entre estes e a grande maioria é praticamente tangível. Outro ponto negativo nesse tópico é, de certa forma, a inexpressividade facial dos personagens, muito embora isso seja completamente compensado em expressão corporal – o que nos permite compreender certas reações e atitudes. 

Max em pose heroica.

Max em pose heroica, mentira, ela só estava pensando XD

Assim, Life is Strange surpreende do começo ao fim, e embora trabalhe diante de estereótipos – viagem no tempo e suas implicações -, cumpre com seu papel, inovando por sua suavidade e beleza ímpares. Além disso, sua história, personagens, cenário e músicas extremamente envolventes tornam toda a experiência do jogo muito interessante, em certos pontos chega a ser bem imersivo. Chrysalis, o primeiro episódio, não é muito conclusivo, na realidade, deixa dezenas de perguntas que só poderão ter respostas nos episódios posteriores. Em seu começo, Life is Strange se saiu muito bem, e se o nível conseguir ser mantido, promete ser um jogo épico. Logo, acredito que ele mereça:

4invaders

Avaliação: 4 Invaders – Ótimo

Obs: Out of Time, o segundo episódio da série, possui previsão para Março deste ano.

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Sobre Lucas Campos

21 anos. Estudante de Jornalismo. Leitor compulsivo.
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